VULCÃO DE 1808, NA ILHA DE S. JORGE
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Infopress do OVGA

 

 

No próximo dia 1 de Maio, a meio da tarde, em sessão organizada pela Junta de Freguesia da Urzelina da ilha de S.Jorge, o OVGA - Observatório  Vulcanológico e  Geotérmico dos  Açores  como  parceiro do  projecto  comunitário CHRONOS (liderado pelo IAC, Terceira)  lança a  sua  32.ª  publicação, ou seja, um  pequeno  livro  recordatório  da  temível  erupção de  01 de  Maio de  1808, que  gerou o  denominado e  famoso Mistério da  Urzelina .
São autores do livro os vulcanólogos Victor Hugo Forjaz, Zilda Melo França e Luísa Pinto Ribeiro, os 2 primeiros docentes da Universidade dos Açores e a 3.ª investigadora da Missão para a Plataforma Submarina Portuguesa.
A edição, intitulada O MISTÉRIO DA URZELINA DE 1808, recolhe diversos e importantes documentos sobre essa erupção desde peças antigas (Archivo dos Açores) a análises petrológicas muito recentes; os autores também revelam os resultados de outros colegas publicados em Abril na reunião Anual da Associação Europeia de Vulcanologia, em Viena, onde as rochas mais antigas de S. Jorge, sitas na base do Vale da Ribeira de S. João, têm idades da ordem dos 1,3 milhões de anos, uma autêntica surpresa geológica (pensava-se que a ilha teria surgido há cerca de 600 mil anos).
A edição integra belas fotos aéreas de S. Jorge bem como diversas fotos coloridas das bocas de onde brotou o “fogo de 1808”, lava e piroclastos (bagacinas) visíveis das ilhas de todo o grupo central. A lava, próxima de uma composição basáltica, envolveu a igreja de S. Mateus da Urzelina, queimou fiéis e apenas a torre permaneceu até aos nossos dias. Outra característica rara foi o aparecimento de autênticas nuvens ardentes que, descendo encosta abaixo, a alta temperatura e com grande velocidade, tudo destruíam; nuvens ardentes são mais típicas em cenários vulcânicos mais ácidos, ou seja, com mais sílica.
Por estes motivos a erupção de 1808 - depois  apelidada de  Mistério da Urzelina   (por os povos de  então  não saberem explicar  tão  tenebrosa  forma da Natureza)     é  registada em diversos  manuais de  Vulcanologia.
Contudo a iniciativa do OVGA (edição de livro, excursão aos focos vulcânicos e palestras) tem ainda outro objectivo, ou seja, visa proteger o Mistério e a torre da igreja de vandalismos já evidentes, tornando-os elementos de museologia exterior e locais de visita geoturística.
De facto já são visíveis as extracções de produtos vulcânicos de 1808 para estradas e construções de casas; por outro lado a torre é motivo de despiques e ameaça ruir.

 Colaboração do Prof. Dr. Victor Hugo Forjaz, que muito agradecemos.

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