Por      

         

         Prof. José Pacheco de Almeida

Açores, um destino de natureza!
 

Os Açores procuram um desenvolvimento sustentado que tarda em ser encontrado e conseguido.

Passado que foi o período da “monocultura” da vaca, e da relevância relativa do sector das pescas, os Açores fazem agora uma aposta que desejamos seja decisiva, no turismo, como importante suporte do nosso desejado desenvolvimento.

Nos últimos seis anos os Açores duplicaram o número de camas turísticas na Região, que ultrapassam agora as 9.000 camas, e as projecções que se fazem para os próximos dez anos, apontam para uma capacidade de oferta superior às 16.000 camas.

Com cerca de 1.000.000 de dormidas por ano, das quais mais de 50% de estrangeiros, o turismo que quase estagnara durante mais de uma década, vai ganhando visibilidade e importância na nossa economia.

Temos ainda um longo caminho a percorrer, e dificuldades a vencer, mas há metas traçadas e projectos concretos a realizar, aumentando a já interessante capacidade actual em camas.

Somos uma Região de clima ameno, e claramente um destino de natureza, com enorme potencial de desenvolvimento turístico, ligando de maneira inteligente e eficaz, a terra e o mar.

Já temos um número interessante de hotéis de cidade, e o turismo rural, nas suas diversas valências, ganhou dimensão. Faltam resorts turísticos nos quais se possa oferecer ao turista, num espaço de proximidade, actividades ligadas à terra, como o golfe, e tudo o que o mar tem para deslumbrar quem nos visita, do whale watehing ao mergulho e a pesca desportiva, e a todos os desportos náuticos.

Em meu entendimento, precisamos de investimento externo, de preferência em parceria com empresários regionais, de uma promoção eficaz em mercados que podem ser atraídos pelos Açores, e de uma cultura turística que acolha com gosto e calor humano, quem nos visita.

Precisamos de melhorar a qualidade dos serviços que oferecemos aos turistas, dando especial atenção à restauração, e à animação em geral.

É do conhecimento comum que muitos jovens que frequentam as Escolas de Formação Turística e Hoteleira não vão trabalhar para o sector, quando acabam os seus cursos. Neste caso, o investimento feito em formação perde-se em boa parte. Esta é uma situação a estudar e a rever.

Os Açores estão no meio do Atlântico, entre a Europa e a América do Norte, e a nossa ultra-periferia reflecte-se no custo dos transportes, o mesmo acontecendo nas ligações inter-ilhas, de Santa Maria ao Corvo. As passagens áreas, pelo seu custo, são uma questão que importa reflectir, na expectativa da optimização das ligações que temos com o exterior, e dentro da Região.

O transporte é fundamental entre o Faial e Pico, e destas ilhas com S. Jorge, e é importante para a ligação entre ilhas do mesmo grupo, e com toda a Região, mas com excepção das ilhas do triângulo, só se faz com segurança e fluxos de passageiros significativos entre Maio e Outubro. Trata-se de uma operação muito sazonal, e com custos elevados.

Referi algumas das nossas potencialidades e estrangulamentos. Devo referir que acredito que os Açores podem e vão crescer como destino turístico, oferecendo uma natureza deslumbrante e mágica que temos de preservar e apresentar no seu melhor, no mar e em terra.

Começamos a estar no mapa do turismo mundial. Há que continuar, com determinação e confiança no nosso futuro.

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